segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A qualidade de vida no trabalho



A qualidade de vida no ambiente de trabalho é situação que, em virtude da proximidade do Natal, final do ano e do vencimento de contas extras a pagar, é colocada à prova nessa época. A elevação do nível de estresse é aparente, tanto nos trabalhadores, preocupados em honrar dívidas e propiciar um final de ano digno à sua família; como nos empregadores, preocupados em ultrapassar metas e avolumar o seu lucro.

No entanto, além dos problemas pessoais de cada indivíduo, mudanças no cotidiano da empresa podem contribuir para que o resultado final não seja o esperado. Não é difícil perceber que o trabalhador abre mão de hábitos pessoais e de perspectivas particulares de sua vida para garantir a própria subsistência, cumprindo jornada de trabalho excessiva, que muitas vezes ultrapassa o limite do razoável e que deixa margem para o surgimento de doenças.

O movimento no comércio nessa época do ano exige maior empenho do trabalhador fazendo com que o mesmo desdobre-se além do limite normal para aumentar as vendas. No entanto, o aumento considerável da carga horária, o trabalho desenvolvido “em pé” e o escasso tempo para alimentação, são mudanças no cotidiano da empresa que depreciam as condições de saúde no ambiente de trabalho.

É necessário ter a consciência que a elevação do nível de estresse do trabalhador poderá gerar a queda da sua produtividade e o surgimento de doenças relacionadas ao trabalho, tais como a fadiga, distúrbios do sono, alcoolismo, depressão, estresse e a síndrome de Burnout (Maria Emilia Marinho de Camargo, Explosão de Estresse, In Psique Especial, p. 48).

Burnout é termo popular da língua inglesa que se refere àquilo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. A empresa deve garantir ao trabalhador condições saudáveis de trabalho, sob o ponto de vista físico e mental, para encarar a maratona que se aproxima. Nesse sentido, para que o empregado atinja a produtividade e qualidade almejada ele precisa estar e manter-se saudável. O trabalhador é um ser humano e não uma máquina cuja bateria garante a sua produtividade por 24 horas. É importante enfocar o trabalho como uma necessidade e razão de vida. Todavia, deve-se ter cuidado, nessa época do ano, para que o trabalho, ao invés de propiciar qualidade de vida sadia e prazerosa, não seja fonte de desprazer, ao implicar elevado desgaste físico e mental e ao interferir na produtividade e na qualidade de vida do trabalhador.

Greice Teichmann
Mestre em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Lisboa
Assessora Jurídica do Sindicomerciários-Canela
Sócia do Escritório Silva, Nascimento & Advogados Associados